DISC – ATENÇÃO: Alto D NÃO é igual a liderança!

O DISC é uma metodologia de análise de perfil comportamental utilizada há muitas décadas e em mais de 90 países*, com inúmeros e variados processos de validação científica**, assim como também é validada pelo tempo em que é utilizada em processos de seleção e desenvolvimento. É uma metodologia com vasta aceitação no mercado e reconhecimento de sua utilidade e qualidade por inúmeros profissionais, porém é necessário tomar um cuidado, pois esta abrangência de uso e boa reputação não deveria transferir a um gráfico DISC o poder para ser a única fonte de informação para decidir se uma pessoa tem ou não o potencial para liderar, ainda mais quando se pressupõe que, para todos os cargos de todas as empresas, todos os líderes deveriam ter uma alta dominância.

É comum encontrar no mercado profissionais de seleção e desenvolvimento de pessoas que acreditam que, para ser líder, é necessário possuir uma alta dominância, colocando isso, inclusive, como um fator não negociável em um processo de seleção ou promoção.

Vamos resumidamente relembrar alguns conceitos a respeito dos fatores DISC.

Os fatores D e C são orientados para tarefas ou coisas, enquanto os fatores I e S são orientados para pessoas e relacionamentos.

Os fatores D e C tendem a ser mais diretos e com certa facilidade podem se tornar ríspidos, abrasivos e muitas vezes com mais dificuldade para lidar com os sentimentos e emoções dos outros, o que pode prejudicar muito a produtividade e o clima de uma equipe.

Ao enxergar pessoas como coisas ou apenas mais um recurso a seu serviço, as pessoas dominantes podem apresentar as seguintes limitações:

  • Não saber ouvir, em qualquer circunstância, principalmente quando contrariado
  • Transparecer irritação quando é contestado.
  • Não aceitar situações em que possa parecer fraco.
  • Não conseguir controlar a raiva e acabar descontando seus problemas, medos e frustrações nas pessoas à sua volta.
  • Possuir uma insensibilidade aos sentimentos e necessidades dos outros.
  • Não administrar sua agressividade, tornando-se verbalmente violento, infelizmente, em alguns casos, até fisicamente.
  • Tendência a priorizar, muitas vezes ou quase sempre, apenas seus interesses e necessidades.
  • Prejudicar o clima da equipe e do ambiente de trabalho, em razão de sua dificuldade de construir relacionamentos positivos.

Como a teoria DISC é neutra, e isto é verdade para os quatro fatores, as pessoas com alta dominância também possuem características que podem agregar no exercício da liderança, como:

  • Ousadia no estabelecimento de metas.
  • Rapidez na implementação de mudanças.
  • Coragem para enfrentar momentos ou mercados desfavoráveis.
  • Capacidade de ir direto ao ponto.
  • Agilizar a solução de um problema.
  • Competitivo em todas as áreas.
  • Persistente na busca da vitória.
  • É motivado por desafios, quanto mais difícil melhor.

As características comportamentais acima podem ser importantes para quem está em uma posição de liderança, mas note que nada acima – me refiro à segunda lista de tópicos – possui relação com pessoas, as quais são pré-condição para que exista o exercício da liderança.

Um relatório DISC, quando utilizado para analisar o potencial de liderança de uma pessoa (DISC mede potencial, não competências ou capacidade de entrega), deve ser visto como uma fonte de informações a serviço e em alinhamento com outras variáveis. Abaixo você encontrará algumas:

  • O momento da empresa (startup, crescimento, queda, falência, estável, etc.).
  • Formação jurídica da empresa (estatal, privada, mista, ONG).
  • Segmento da empresa (agronegócio, serviços, tecnologia, atacado, varejo, indústria, etc.).
  • Empresa familiar, multinacional ou de capital nacional.
  • Faturamento da empresa e número de funcionários.
  • Número de pessoas na equipe que irá liderar.
  • Perfil dos subordinados, pares e superiores.
  • Departamento no qual irá trabalhar.
  • Organograma da empresa.
  • Tipo de produto e mercado.
  • Perfil dos clientes.
  • A estratégia do negócio.
  • Etc.

O DISC é uma teoria neutra e que funciona, porém mensura apenas uma dimensão, dentre muitas que são relevantes para o cargo de liderança. Além das variáveis citadas anteriormente, é fundamental checar outras, como maturidade, experiência de vida e profissional, formação acadêmica, conhecimento técnico, inteligência emocional e valores, apenas para mencionar mais algumas.

* A TTI Success Insights está presente em mais de 90 países.

** A TTI Success Insights possui uma patente relativa ao seu processo de validação com o uso de eletroencefalograma.

Autor: Alexandre Ribas

2 Comentários no artigo “DISC – ATENÇÃO: Alto D NÃO é igual a liderança!

  1. Olá! Achei muito interessante a matéria, parabéns ! Uma dúvida, qual seria o perfil do disc que dá mais certo quando se fala em liderança? E você teria um material ou saberia dizer quais as profissões que se enquadram melhor com cada perfil no disc? Muito obrigada,

  2. Boa tarde Venanda,

    Qualquer perfil DISC serve para liderança.
    O perfil DISC irá variar conforme o nível hierárquico, departamento, estratégia do negócio, momento da empresa, tipo de produto e cliente, assim como o perfil do superior imediato, descrição de cargo e outras expectativas que se tenha de determinado cargo.
    Respondendo às perguntas acima o perfil DISC ideal para o cargo irá surgir.
    Nós não trabalhamos com modelos prontos de perfil pois não acreditamos que o DISC seja vocacional ou direcionador de carreira.
    Há muitas carreiras e cargos distintos que demandam exatamente o mesmo perfil, assim como há muitos cargos com o mesmo título e departamento que demandam perfis DISC diferentes.

    Atenciosamente,
    Alexandre Ribas

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